Quando foi que você ficou sabendo que Augusto Cury se candidatou a Presidente do Brasil? A notícia também te pegou de surpresa? Eu até pensei que o Juninho Bill fosse se candidatar algum dia, mas o Augusto Cury? Jamais me passou pela cabeça.
Fato é que a trajetória eleitoral da República brasileira, desde o seu início, passando pelo período oligárquico, a fase populista e chegando à redemocratização contemporânea, tem sido marcada por candidaturas, no mínimo inusitadas: figuras exóticas, intelectuais e "outsiders" que tentaram transpor sua notoriedade para a disputa da presidência do país.
A Primeira República (1889–1930) foi pródiga nesse fenômeno, impulsionada por uma frouxidão jurídica singular: a legislação da época não exigia filiação partidária prévia nem o registro formal de candidaturas, permitindo que qualquer eleitor escrevesse o nome de quem quisesse nas cédulas de papel.
Na eleição presidencial de 1894, por exemplo, o apuração oficial registrou nada menos do que 205 nomes votados. Entre dezenas de cidadãos anônimos, homenagens a amigos e figuras exiladas, destacaram-se casos literários e de protesto cívico.
Abaixo, você confere outros candidatos que nunca imaginou terem participado da disputa:
Machado de Assis (1894)
O célebre escritor, romancista e fundador da Academia Brasileira de Letras recebeu votos nas urnas daquela eleição pioneira, reflexo da prática comum de eleitores usarem as cédulas de papel para prestar homenagens cívicas a intelectuais de prestígio civil.
O presidente eleito na ocasião foi Prudente de Moraes.
Visconde de Ouro Preto (1894)
Último chefe de gabinete do Império, Afonso Celso figurou na contagem de votos da jovem República por parte de eleitores nostálgicos ou opositores do novo regime, mesmo estando formalmente inelegível pelas regras constitucionais vigentes.
O presidente eleito foi Prudente de Moraes.
Alberto Santos Dumont (1910, 1914 e 1918)
O ilustre inventor da aviação e pioneiro dos voos mecânicos recebeu votos de protesto e homenagens cívicas espontâneas nas urnas da Primeira República nesses pleitos, refletindo o enorme prestígio popular de sua figura científica em oposição às oligarquias tradicionais.
Os presidentes eleitos nas ocasiões foram: Hermes da Fonseca (1910), Wenceslau Braz (1914) e Rodrigues Alves (1918).
Plínio Salgado (1934)
Escritor modernista, jornalista e líder do movimento integralista (AIB), lançou-se candidato na eleição presidencial indireta realizada pela Assembleia Constituinte, representando a inserção de uma vertente ideológica extremista nascida diretamente dos meios intelectuais da época.
O presidente eleito naquela ocasião foi Getúlio Vargas.
Yedo Fiúza (1945)
Engenheiro e ex-prefeito de Petrópolis, foi lançado à presidência pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) nas primeiras eleições pós-Estado Novo. Era amplamente desconhecido da grande massa nacional e representou uma tentativa incomum do partido de viabilizar um nome civil fora do clã militar tradicional.
O presidente eleito naquele ano foi Eurico Gaspar Dutra.
Mário Rolim Teles (1945)
Empresário rural e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, encabeçou a chapa do Partido Agrário Nacional (PAN). Sua candidatura representou um esforço isolado e de curtíssimo alcance para canalizar pautas corporativas do agronegócio diretamente para as urnas presidenciais.
O presidente eleito foi Eurico Gaspar Dutra.
Silvio Santos (1989)
Magnata da televisão e animador de auditório, foi lançado de última hora pelo nanico partido PMB nas primeiras eleições diretas pós-ditadura. Sua campanha relâmpago durou poucos dias antes de ser rigorosamente barrada pelo TSE devido a irregularidades na fundação do partido.
O presidente eleito naquela ocasião foi Fernando Collor.
Augusto Cury (2026)
Psiquiatra, professor e renomado escritor de livros de autoajuda com milhões de exemplares vendidos, ingressou na política pelo partido Avante com um discurso focado na gestão emocional da sociedade, na saúde mental coletiva e na superação da polarização.









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