Qual a relação entre Agatha Christie e Eça de Queiroz? Além de serem grandes expoentes da literatura, ambos, curiosamente, representaram muito bem dois países na Copa do Mundo de 2026, não as suas nações de origem (que não se enfrentam na fase de grupos este ano), mas a Bélgica e o Egito.
No reencontro entre as seleções na Copa do Mundo deste ano, Bélgica e Egito empataram em 1 a 1 no Lumen Field, em partida válida pela estreia do Grupo G. Os egípcios abriram o placar aos 19 minutos, com Emam Ashour. O empate veio aos 21 minutos da etapa final: apenas 22 segundos após entrar em campo, Lukaku disputou a bola na área e forçou o gol contra do defensor Mohamed Hany. O marcador permaneceu indefinido e emocionante até o apito final.
Fora das quatro linhas, Bélgica e Egito também desempenham papéis marcantes na literatura mundial, servindo de cenário para grandes clássicos, romances históricos e envolventes tramas de espionagem.
Hercule Poirot, personagem icônico criado por Agatha Christie, é belga e, inclusive, demonstra grande incômodo quando é confundido com um francês ao longo das histórias. O detetive protagoniza trinta e três romances, estreando em “O Misterioso Caso de Styles” e encerrando sua trajetória em “Cai o Pano”, além de figurar em mais de cinquenta contos e duas peças teatrais.
Já o português Eça de Queiroz é autor de “O Egito”, obra publicada postumamente que reúne suas crônicas de viagem produzidas durante a cobertura da inauguração do Canal de Suez, em 1869. O livro constitui um fascinante diário de bordo que combina o encantamento romântico diante das pirâmides, do rio Nilo e da cultura islâmica com a crueza do realismo e a habitual ironia do escritor.
Para além de Agatha Christie e Eça de Queiroz, Bélgica e Egito servem de pano de fundo para diversos títulos de sucesso, como “Bruges-la-Morte”, de Georges Rodenbach; “A Tristeza da Bélgica”, de Hugo Claus; e “Villette”, de Charlotte Brontë, ambientados na Bélgica. Já no Egito, destacam-se “Morte no Nilo”, de Agatha Christie; “O Quarteto de Alexandria”, de Lawrence Durrell; e “A Maldição do Tesouro do Faraó”, de Sérsi Bardari.
O futebol e a literatura proporcionam dessas surpresas. Paralelos improváveis para alguns; coincidências fascinantes, eu diria.
George dos Santos Pacheco
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